terça-feira, 5 de outubro de 2021

A CASA

Imagine que você possua um imóvel, bem localizado, um tamanho espetacular, uma vista linda. Totalmente mobiliado com móveis e equipamentos de primeira linha.

Agora imagine que você tenha um amigo interessado nesse imóvel. Ele pergunta se você o venderia e, por qual valor você o venderia.

Vamos supor que o valor, com tudo o que tem dentro, seja 1.000. E a manutenção da casa gire em torno de 50.

É um valor muito alto para o seu amigo, ele só tem 400.

Um dia, você não está fazendo nada, lembra da conversa e começa a fazer umas contas, só pra passar o tempo:

E SE você vendesse separadamente para outras pessoas: 

- a geladeira duplex power freeze;

- Todos os móveis da casa;

- sua coleção de livros, discos, miniaturas;

- garrafas de vinho premiadas;

- quadros;

Com essas vendas, você receberia por volta de 200;

A casa, com TVs de 70 polegadas em cada quarto e na sala e na sacada.... Você vende todas elas, cancela o pacote premium da TV por assinatura, diminui os dados da internet..., e ainda economiza quase 10 nos custos com energia elétrica;

Sua faxineira, há anos trabalhando pra você, é trocada por uma menina mais nova (ou uma empresa especializada em terceirização), recebendo um salário bem menor do que a anterior...

Uma das vagas de garagem, até então vazia, é alugada ou/vendida para outro morador....

No final das contas, você conseguiria, com essa estratégia, receber uns 500 com as vendas e ainda diminuir os gastos por volta de 100 por mês.

Todo o dinheiro que você receber, obviamente você investe, em imóveis, ações, tecnologia...

Você então reencontra seu amigo e diz pra ele que, se ele quiser comprar a casa sem todo o luxo dentro dela, você a venderia por 500. 

A casa continua grande, linda, com cara de nova. Só custa 450.

Dá para o amigo comprar, colocar uns móveis razoáveis, baratos e alugar quartos para estudantes (talvez de religião 😉)...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

UMA HISTÓRIA DE QUALQUER UM OU DE NINGUÉM


A queda inevitável,
A noite interminável,
A dor incontrolável,
A tristeza inconsolável.

A palpitação intermitente,
O cansaço permanente,
O interesse inexistente,
A carência deprimente.

O desespero de quem sente, de quem mente.

A solidão irreparável,
O ato irresponsável,
O ar irrespirável,
O fim... inevitável.

domingo, 3 de julho de 2016

EU, VOCÊS, NÓS

Ele se recorda dos dias bons,
E sobreviveu aos dias ruins,
Enxergou as cores dos dias vividos, encontrou a si mesmo em tantos caminhos.

Ela passou os dias pensando nos dias que ainda estavam por vir,
Ela não viveu os dias passados,
Abriu mão do dia de hoje... caminhou sem deixar pegadas.

Ele parou no tempo, acorda sempre no mesmo dia,
Percorre os mesmos caminhos, revive os mesmos momentos.

Visitando os mesmos lugares, deixou de buscar novas paisagens.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

COM OU SEM VOCÊ

Eu ainda amo você.
E todos os dias penso em você.
Não há nenhuma canção que não fale de nós dois... sobre o antes, sobre o depois.

Eu ainda sinto a sua falta.
A saudade que maltrata... ingrata!

Imagino os seus passos,
Quem hoje tem você nos braços?

Quem te faz brilhar os olhos?
Para quem está sorrindo?
Com quem anda dividindo
Os seus carinhos, o seu amor?

Eu ainda estou aqui, esperando entender, 
esperando acontecer.
Vendo o tempo passar, 
do anoitecer ao amanhecer,
Passando o tempo a questionar
Se o que eu vivo hoje é o que eu mereço ter
Ou se é apenas uma fase até eu voltar a viver...
Com ou sem você.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

OUTRA DIREÇÃO

Seguimos juntos o mesmo caminho, 
Porém não consigo enxergá-lo da mesma maneira que você.
Não estou acostumado a não ter o controle, não controlo meus reflexos. 
Sinto-me preso;

Sigo ao seu lado, atento a tudo, a todos os sinais.
A conversa diminui minha insegurança, mas também confirma nossas diferenças.
Já estive do outro lado, porém isso não ajuda,
Tento, com carinho, sugerir uma atitude diferente;
Aceito, com dificuldade, sua maneira de conduzir.

As horas passam rápido, as histórias se multiplicam.
O tempo, as risadas e os momentos aliviam, finalmente, a tensão.

Perto do fim da estrada, olho pra você com carinho,
E lembro do caminho que juntos percorremos.
E então percebo que, quando eu chegar ao destino final, 
Certamente sentirei falta da estrada, desejando que ela tivesse sido um pouco mais longa.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

ESCONDERIJO

Não adianta, atrasado, alienado.
Quanto sono, estou cansado.
É preciso fazer o que melhor faço.

Ainda é cedo, está na hora. É agora!
Apago as luzes, encaro os fatos,
Deixo o bom senso de lado e te abraço.

Uma, duas, três,
Talvez mais, talvez seis.

Enquanto aguardo o efeito desejado,
Penso no presente, relembro o passado,
E, num instante, no breu desabo, sinto meu corpo relaxado.

Uma, duas, três,
Talvez mais, talvez seis.

Acorda, Roger Smith! Abra os olhos, desperte, aguente!
Um dia igual, normal... somente,
Queria aproveitar mais o pouco que restou,
Pra não esquecer o que faço de melhor.

O tempo passa, ao meu redor tudo se repete,
O cansaço, os pesadelos... a coragem que se esvai.
Abro a porta, fecho os olhos,
A vontade me domina, me vence, me convence,
Que está na hora de partir novamente.

E lá vamos nós para uma nova viagem,
Volto pro meu lugar, meu refúgio, meu esconderijo,
Onde o destino se perde no caminho,
Onde me perco, onde me acho... sozinho.

Quando, mais tarde, novamente desperto,
Em meio a loucura e a semi lucidez do momento,
Vivo entre querer que esse ciclo termine,
E torcendo pra que meu sol ilumine.

Uma, duas, três,
Talvez mais, talvez seis.



terça-feira, 5 de maio de 2015

QUANDO ÉRAMOS AMIGOS

Quando éramos amigos, eu podia te olhar
te abraçar e sorrir ao seu lado
De mãos dadas, conversávamos sobre nós e sobre o mundo

Quando éramos amigos, não havia medo,
tudo podia ser dito e feito
E o tempo não era tão cruel quando estávamos separados

Antes era diferente, agora está tudo diferente.

Ontem éramos amigos,
E hoje não te olho mais nos olhos,
Não consigo ser eu mesmo
e já nem sei mais quem sou.

A sinceridade se foi,
e as frases não se completam naturalmente.

Eu tento entender, te mostrar tudo o que sinto
Mas não encontro as palavras, o silêncio constrange
a saudade sufoca, sua ausência machuca
A distância incomoda, não consigo esquecer

Queria te falar dos meus sonhos
mas passo as noites em claro
Contando as horas para estar ao seu lado
Torcendo pra que a magia não tenha acabado

Meu dia agora é curto, não tem mais 24 horas
Só começa quando eu te vejo
e acaba quando você vai embora

Um beijo nos separou, um beijo nos uniu
E quando abrimos os olhos, nos vimos refletidos
com as mesmas dúvidas, mesmos medos e desejos
E nos meus delírios eu sei que é tudo verdade

Antes era diferente, agora está tudo diferente.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

DESCRIPTIO

Sou eu, ou sou um outro alguém, não sei quem... eu não sou ninguém.
Eu não tenho dono, não pertenço a ninguém,
Eu não sou triste, tenho a tristeza em mim;
Eu sou mais feliz do que todos vocês.
Sou quem quero ser, eu sou hoje ou quando quiser.
Eu sou paixão, verdade, depressão,
Sou perdido, sou caminho, sou confusão.
Sou explícito, sou direto, sou convicção,
Sou uma mentira, sou a contradição.

Descrevo todas as cores no cinza ao meu redor.
Não tenho tamanho, não sou pior... ou melhor.
Com os olhos fechados, enxergo tudo o que não me cega
Minhas ideias sem sentido, meus cenários reais e surreais.
Minhas mensagens secretas, meus 'para sempre' e os meus 'jamais'
A alegria sincera, a mentira bem contada
O personagem fictício que vive na sua casa.

Eu sou a peça que falta no seu quebra-cabeça.
Eu sou vazio, sou vago, sou deserto, sou certeza.
Não posso ser rotulado, temos tanto em comum.
Sou muitos, sou todos, e às vezes não sou nenhum.
Inspirado, pobre plágio, repetitivo, original
Um pensamento, um poema, um desabafo natural.
Não sou quem eu sou, não sou o que você vê
Sou a metáfora, o escracho, manipulo você
Sou ladrão de mim mesmo, um alguém sem valor
Criador, criatura, pecado e pecador.

Histórias mal contadas, histórias de amor
Humor negro, abstrato, eterno fingidor.
Rimas, métricas, sentidos, espaços
Mistura de ideias, invenção de fatos
Sou homem, menino, sou forte, sou fraco
Sou um cão vira latas, um monstro, uma farsa,
Um rato, um herói, um chato sem graça

Sou sonho, ilusão, devaneio, delírio
Sou dócil, inocente, sou frio, sombrio.
Sou tudo de um pouco, incompleto, inacessível
Viciado, usado, corruptor, incompreensível
alienado, moribundo, um lugar qualquer do mundo
Sou silêncio, barulho, sou mudo
Sou eu: um pouco de tudo....

quarta-feira, 25 de março de 2015

HOW CAN I?

How can I tell you that you're amazing?
How can I measure all my love for you?
How can I explain to you these feelings?
How can I prove to you that it's all true?

How can I ask you to be with me?
How can I show you how much i need you?
How can I tell you that i miss you?
What can I do to show you all i wanna do with you?

How can I? How can I? How can I prove my love for you?
How can I? How can I? What can I do to always be with you?

sexta-feira, 6 de março de 2015

TEMPOS IGUAIS

Ontem te conheci, olhei pra você, você olhou pra mim e logo me ignorou;
Ontem eu observei com inveja a coragem daquele que de você se aproximou, 
Ontem eu fiquei com raiva, pois seu coração a ele você entregou, 
Ontem você começou seu sonho, e fazendo isso, parte do meu acabou.

Hoje, finalmente, eu te falei quase tudo o que sempre quis, desde o dia em que te conheci.
Hoje você sabe que eu te amava, e te ignorava por não saber como agir.
Hoje me arrependo de não ter tentado, ter simplesmente deixado você partir;
Hoje queria você do meu lado, seu abraço apertado. Queria você aqui.

'Amanhã vai ser outro dia', dizia Chico - Vai passar,
Amanhã certamente vou me questionar se fiz certo ao me declarar,
Amanhã, minha amiga, não tenha dúvidas, nada vai mudar,
Amanhã, como ontem e hoje, ainda irei te amar.

quarta-feira, 4 de março de 2015

O CONTO DO MÉDICO ÁRABE



Cinco e pouco da tarde de uma quinta-feira; estávamos saindo do trabalho, eu e mais uns 4 ou 5 amigos. O dia estava bonito e o sol ia aos poucos desaparecendo atrás dos belos prédios da zona sul de São Paulo.


Estávamos falando cada um sobre alguma coisa sem importância quando alguém sugeriu que fôssemos tomar algumas cervejas, falar mal dos chefes ou ver algumas garotas. Algo que fazíamos há uns cinco anos, desde os meus primeiros dias de trabalho naquela empresa.


Fui o primeiro a sair, queria muito fumar um cigarro. Passei meu crachá na catraca sem parar de falar bobagens para os que estavam atrás de mim.


Acendi meu cigarro e fiquei esperando o pessoal sair.
Enquanto esperava, olhei pra avenida e achei um pouco estranho, pois naquele momento os dois sentidos da avenida estavam calmos, algo muito incomum naquele horário, não passava praticamente nenhum carro. Pensei nisso por alguns segundos, mas quando todos se juntaram novamente, lá estava eu rindo, agindo e me divertindo como um adolescente novamente, falando bobagens para os outros.


Se fôssemos para o lado esquerdo, em 50 metros estaríamos numa esquina onde, do outro lado da rua estava o bar cheio de tantas histórias de tantos encontros em tantas tardes sem fim como aquela. Se atravessássemos a avenida, logo em frente ficava o ponto de ônibus, meio de transporte que todos nós usávamos naqueles dias.


Ficamos na porta da empresa tentando decidir nosso destino, quando, do nada, uma correria começou na calçada onde a gente estava, muito perto ou no ponto de ônibus que seguia para o extremo sul da cidade. Percebi algumas poucas pessoas gritando e correndo. Tentei entender o que estava acontecendo, mas, com uma descarga gigantesca de adrenalina somando a minha covardia, saí correndo sem nem sequer olhar pra trás. Lembrei-me da avenida vazia e automaticamente comecei uma corrida, tentando atravessá-la o mais rápido possível para me esconder atrás de algum carro estacionado do outro lado, perto do ponto de ônibus, até saber o que deveria fazer.


Não vi para onde meus amigos foram, apenas um deles, que optou pela mesma tática que a minha. Estávamos distantes uns 20 metros um do outro, porém ele já estava agachado e protegido atrás de um carro. Gritou algo pra mim, mas não consegui entender por causa do barulho dos tiros que não paravam um segundo sequer.


Corria o mais rápido que minhas pernas permitiam e, quando já estava nos metros finais, quase terminando de cruzar a avenida, a pouquíssimos metros de um carro cinza estacionado onde eu já me imaginava salvo, senti algo quente atravessando meu pescoço. Perdi o equilíbrio e meu corpo caiu no chão sem nada que eu pudesse fazer.


É clichê, eu sei, mas tudo realmente pareceu acontecer em câmera lenta.


Meu rosto bateu forte contra o chão. Não lembro disso, mas sei que foi isso o que aconteceu.
Eu estava caído, de bruços; sentindo o sangue se esvaindo do meu corpo. Meus olhos continuavam abertos, olhavam parte do asfalto, e mais distante e sem foco, a catraca que eu passei sorrindo há quase uma vida atrás.


Não vi mais nada, não ouvi mais nada. E, sem ouvir meu último suspiro, morri ali, alguns instantes depois.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Crazy - Parte I

Talvez seja impossível escrever sobre você,
São muitas coisas que ninguém pode saber
Tantas razões para eu nunca te dizer
Que te amo, que não vivo sem você!

Fodeu, falei! O que acontece daqui pra frente?
Talvez você saia da minha vida, mas não sairá da minha mente,
Exagerei, e não sei agora o que eu faço
Quem sabe mentir? Reverter esse meu embaraço.

Já sei! vou dizer que é brincadeira
Ou que é amor puro, fraternal
Afinal, somos amigos há tanto tempo
E eu falar bobagens, você sabe: é tão normal!

O que não posso permitir, nem tampouco imaginar
É te perder, não poder nem mesmo te ligar
Não te ver de vez em quando, nunca mais te abraçar
Não ter mais o seu carinho, não admirar o seu olhar.

E aí? Te enganei em algum momento?
Ou você desconfiou desde o início?
Talvez não lembra depois de tanto tempo,
Que mentir é um dom, é meu maior vício.


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

ALGO MAIS

É algo entre o saber e o pensar que tudo sabe;
É o sentir e o não ter palavras para descrever;
É falar quando o silêncio seria o bastante;
É saber esperar o que nunca irá acontecer;

Não se queixar dos que agem como você;
Não perder o equilíbrio quando se perde o chão;
Manter o olhar fixo sem acusar o golpe;
Não deixar de amar pelo medo da desilusão.

É sobre o tempo que não passa... devagar.
Sobre o efeito de quem perde sem apostar;
O vácuo do que és e de onde deveria estar;
O ódio que se sente por ainda se apaixonar.

Olhar tão intensamente a ponto de ignorar,
Pensar sem parar, sem sair do lugar

É tudo entre o tudo e o nada
É o nada entre o perto e o inalcançável
É a fusão do perene com o perecível,
Sou eu: derrotado, invencível.
É o início, e a intenção de nada começar,
O fim de tudo, mesmo antes de tudo acabar.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

DÉCIMA CAUSA

Pensar em você é fácil, é 'mais do mesmo', é uma rotina.
Em algum momento você surge em minha mente.
Como uma luz que, mesmo fraca, ilumina.
E ainda assim, me cega, bloqueia o que há em frente.

No entanto, te encarar é diferente,
Por maior que seja a vontade, o desejo.
Finjo que te persigo e te provoco.
Mas ainda não estou pronto pro seu beijo.
Por enquanto nada muda, tudo igual.
Planejo tudo sem nenhum planejamento,
Entre as vontades e a falta de coragem
Continuo com você no pensamento.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

MADRUGADA VAZIA

A noite passando, o sono não vem,
você foi embora. Sem volta? eu não sei.
Vou pra sacada, acendo um cigarro
Nas ruas, silêncio, sem vultos, nem carros.

A lua me olha, brilhante, calada.
Na minha cabeça: você! você e mais nada,
No peito, um vazio, um aperto sem fim.
Você me deixou, e levou um pedaço de mim.

Volto pro quarto, tento esquecer
pra distrair, ligo a TV
a mulher do filme me lembra você
é loira, bem alta, não tem nada a ver.

Desligo tudo mas não consigo desligar
E mesmo no escuro te vejo em todo lugar
A cama vazia, já é quase dia
Escuto os pássaros começando a cantar.

Já são 5 e meia, desisto e me levanto,
Preparo um café bem forte, no entanto, 
olhando pra cama, desfeita, vazia
Me lembro das noites em que eu dormia
abraçado ao seu corpo que me aquecia.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

MAIS UM DIA

...No silêncio da noite, entro na casa, escura, vazia. Acendo a luz da sala e vou direto até a cozinha; abro a geladeira e pego uma cerveja.
Caminho até a sala e me sento no sofá.
Retiro do bolso um amassado maço de cigarros. Acendo um rapidamente, num gesto de quase desespero, como se precisasse dele para respirar ou pra relaxar.
Uma longa tragada, olho pra frente e me vejo refletido na TV desligada.
Encaro o olhar que me encara e o que eu vejo não é nada mais do que uma pessoa sem nada demais.
Tento lembrar sobre o dia que passou. Procuro na memória algum momento que marcou, algum encontro, algum pensamento ou sentimento. Não houve nada, ou seja, apenas mais um dia. 


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Eu gosto de escrever

Eu gosto de escrever, mas não escrevo tanto quanto gostaria.
Eu gosto de tentar. Gosto de imaginar. Gosto de procurar.
Procuro frases, procuro idéias vagando por aí; procuro inspiração pra contar algo sem começo, meio e fim, mas com tudo misturado, que pelo menos faça algum sentido pra mim.
Queria fotografar, pintar, filmar.
Queria te contar. Contar histórias tristes com finais felizes e felizes histórias com finais tristes, histórias que existem, histórias que nunca vivi.
Queria uma história sem final. Quero um final para algumas histórias.

Eu gosto de pensar que meu jeito de pensar fará você repensar tudo o que você pensa que sabe.
Eu gosto de dançar, mas não sei dançar.
Eu gosto de cantar, mas não sei cantar.
Eu queria aparecer, mas não vai acontecer.

Não gosto de fingir, mas finjo. Finjo cada dia mais. 
Finjo pro mundo, assim como o mundo se finge pra mim.

Não gosto de você, mas você não sai do meu pensamento.
Eu gosto de você, pelo menos, neste momento.

Gosto de ser alegre, mas não sinto mais tanta alegria como já senti um dia.
Acho que gosto de mim, mas me maltrato tanto, mesmo sem gostar de me maltratar.
Quero gostar mais, não quero mais gostar.
Quero te escrever, mas isso eu nunca irei fazer.

Sendo assim, mais uma história aqui termina.
Mais uma história sem final chega ao fim.
Outras que eu nunca terminei um dia estarão aqui. Talvez com fim.

E, Sem final pra terminar.
Sem moral para pensar.
Sem canção pra se cantar.
Sem canção para dançar.
Sem amor pra dar, pra emprestar.
Sem dor para marcar,
Sem mentir, sem fingir, sem enganar.


Eu não sei escrever, mas o que fazer, se eu gosto tanto de escrever?

sexta-feira, 7 de março de 2014

Que dia triste

Valdecir se foi...
Valdecir, o irmão mais velho do meu pai.
Foi quem o ensinou bem cedo o trabalho na roça;
Foi seu primeiro melhor amigo. Talvez o maior.
Foi seu companheiro nos bailinhos na juventude.
Foi quem me batizou. E, assim, virou o 'cumpadi'.

Eu não o via com frequência, mas sempre senti um carinho muito grande por ele.

Fui ao hospital no último domingo, mas não pude vê-lo; meu pai subiu no meu lugar.
Sem saber, foi o momento do adeus entre os amigos 'cumpadis'.
Durante a visita, meu pai disse que, enquanto lhe dizia palavras de apoio, uma lágrima rolou...ele sabia que não estava só.

Eu, do lado de fora, não pude me despedir pessoalmente, mas isso não foi ruim.
Prefiro guardar na memória os bons dias, quando nos víamos, ele ainda bem de saúde, com o seu jeito: sempre quieto, humilde, simples. Onde mais ouvia do que falava.

Valdecir se foi. E um pouco da ingenuidade e da beleza do mundo se foi com ele.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

KNOCKOUT

Deu 2 passos para trás como uma tentativa de dominar a luta. Já se preparava para o passo à frente quando vieram os golpes: 3 de uma vez... sem tempo para recuperar o fôlego.
Desnorteado, em menos de um segundo soube que seu plano não havia dado certo, sua estratégia falhou.
Sentindo o chão cada vez mais próximo, sabia que qualquer tentativa de reação seria em vão.
Sua cabeça girava, tentando entender o que havia acontecido. Gritou coisas que pensava e outras sem sentido, até finalmente chegar a queda. Um baque seco. Fim da luta.
Conseguiu, com muito esforço, olhar nos olhos do seu algoz. Frios, desinteressados, indiferentes...
Resultado final: Vários pontos, 18 gramas, e repouso imediato.
Não há previsão ou intenção de uma revanche, não há planos futuros no momento.
Resta a compreensão de que o tempo passou e deixou marca em tantas outras batalhas perdidas.
E mais uma vez ficou o vazio e as dores espalhadas em seu corpo.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

MEU PRIMEIRO HERÓI


Hoje é aniversário do meu pai. 60 anos. 6 décadas.
Dessas 6 décadas, eu tenho acompanhado, às vezes perto, às vezes longe, algumas vezes através das histórias dos amigos em comum, há quase 4. Praticamente 4 se contarmos o período em que passei na barriga da minha mãe.
Fui o primeiro filho dele, o que herdou seu nome e muitas outras coisas.
Nesses nossos 40 anos de convivência, vi, vivi e aprendi tanto que não sei dizer com certeza o quanto há de mim em mim e o quanto há dele em mim. Falo sobre caráter, erros, medos, modos, etc.
Não sou muito bom de memória, mas me lembro de momentos aparentemente simples que ele transformou em marcantes na minha vida até hoje e certamente para sempre.
Não sou muito bom de memória, mas jamais esquecerei tantas situações que fizeram eu me transformar no que sou hoje. Algumas boas, outras que eu não concordava e algumas que eu ainda não concordo.

Brincamos quando eu era uma criança, mas até hoje acho que não brincamos o suficiente pra saciar a minha vontade de sorrir e me divertir ao seu lado;
Discutimos também, e, mais uma vez, acho que não discutimos o suficiente para que todas as questões fossem resolvidas;

Crescemos juntos ao mesmo tempo, com 20 anos de diferença entre nós. Fato que muitas vezes ignorávamos completamente.

Hoje é o aniversário dele, mas sou eu quem comemora.
Foi ele o meu primeiro herói, o Wil que minha mãe e eu íamos esperá-lo voltar do trabalho todos os dias no ponto de ônibus.
Foi com ele que eu aprendi o valor de um ‘obrigado’, um ‘por favor’, um sorriso;
Foi dele o primeiro aviso de que a vida lá fora cobrava por cada ato impensado. E como nós dois, e tantos outros, fomos cobrados.
Foi ele quem, talvez sem perceber, me fez pensar por mim mesmo, questionar, brigar, aceitar o inevitável e lutar pelo que eu queria, mesmo quando não era o que ele queria pra mim.
Foi ele também quem me mostrou que meu primeiro herói era humano. Errava, se perdia, perdia a coragem sem perder a essência.

Num determinado momento de nossas vidas, momento que não sei dizer exatamente quando começou, deixamos de ser pai e filho e viramos amigos, confidentes.

Lembro de tantos sacrifícios que ele teve de fazer pra que minha vida fosse melhor do que foi a dele quando era jovem.
Lembro das várias vezes que rimos juntos, choramos juntos, dos conselhos que trocávamos, das histórias impublicáveis.

Com o tempo, nasceu uma cumplicidade tamanha onde nós sempre sabíamos a quem procurar na hora de pedir conselhos, falar sobre um problema, criar um assunto para não pensar num dia triste, muitas vezes falar sobre o nada ou simplesmente desejar um bom dia ao outro. Confesso que, até hoje é ele quem faz isso me ligando praticamente todos os dias.

O tempo, esse ingrato aliado, faz eu desejar mais 6 décadas de vida intensa ao meu primeiro herói, me faz desejar estar ao seu lado todo o tempo que for possível. Porque o tempo, o ingrato aliado, também me faz sentir saudades de quando eu nada sabia e ele, às vezes, nem sempre da forma ‘certa’,  cumpria a sua tarefa de fazer de mim quem eu sou hoje.

Nunca terei palavras suficientes pra descrever meu orgulho, meu amor, meus sinceros agradecimentos por tê-lo por perto até hoje pra me ensinar tudo o que eu aprendi e que continuo aprendendo até hoje.

Feliz aniversário, meu Herói.